Miradouro da Corujeira
A 1.095 metros sobre Montalegre, este miradouro na mata mostra o castelo, a igreja e as serras do Larouco e do Gerês numa só vista, com mesas de piquenique e parque infantil, e sem pagar entrada.
Uma parede natural sobre o planalto
A 1.095 metros de altitude, o Miradouro da Corujeira fica na mata acima de Montalegre, a poucos minutos de carro do centro. Não é preciso caminhada longa nem preparação especial: sobe-se pela estrada florestal, estaciona-se perto do topo e, em pouco tempo, tem-se o Barroso inteiro a espraiar-se lá em baixo. O castelo de Montalegre aparece pequeno mas nítido, a igreja ao lado, e ao fundo as serras do Larouco e do Gerês fecham o horizonte. Em dias limpos, que no planalto são mais frequentes do que se poderia pensar mesmo no inverno, a vista estende-se bem para lá do concelho.
O acesso é pela Mata de Montalegre, 5470 Montalegre, e a entrada é gratuita: o único custo é o do combustível para lá chegar, o que classificamos como €. Não há bilheteira, não há horário fixo e não há website oficial, portanto não conte com informação turística no local. Isto é um miradouro de gente da terra, não uma atração equipada com centro de visitantes.
O que encontra no local
A zona da Corujeira foi pensada para ficar, não só para tirar uma fotografia e ir embora. Há mesas de piquenique de madeira espalhadas pela mata, à sombra dos pinheiros, e um pequeno parque infantil que torna o lugar uma opção sensata para famílias com crianças pequenas que já andaram o suficiente pelo centro histórico. Se levar comida de casa, ou se passar antes pelo Cafe Petiscos Rampa para levantar petiscos, este é o sítio ideal para um almoço ao ar livre com vista de cortar a respiração.
Não há sombra suficiente em todas as mesas ao meio-dia, por isso se for no verão, procure as posições mais recuadas entre as árvores. No inverno, o vento no planalto barrosão corta, e a mata oferece alguma proteção que o topo descoberto do miradouro não tem. Leve sempre um casaco extra, mesmo que o dia comece ameno em Montalegre.
Quando ir
Ao amanhecer e ao final da tarde a luz é mais dourada e menos gente aparece, já que a maioria das visitas concentra-se a meio do dia. Se anda a fotografar a região, vale a pena combinar esta paragem com o roteiro do nosso itinerário fotográfico de inverno no planalto, que passa por vários pontos altos do concelho com esta mesma luz fria e limpa que caracteriza o Barroso fora da época de verão.
No outono, coincidindo com as feiras de gado da região, o ambiente à volta de Montalegre anima-se de forma diferente: vale a pena verificar as datas da Feira do Prémio do Gado Barrosão, que atrai criadores e visitantes ao concelho e transforma a vila num ponto de passagem obrigatório antes ou depois de subir à Corujeira.
Como chegar
Partindo do centro de Montalegre, sobe-se pela estrada que atravessa a mata municipal, sinalizada localmente. A subida é curta de carro, mas sem transportes públicos dedicados: quem não tiver veículo próprio deve equacionar táxi ou boleia, já que caminhar desde o centro implica uma subida significativa. Não há sinalização turística consistente em todos os cruzamentos da mata, por isso convém confirmar o caminho com alguém em Montalegre antes de subir, especialmente ao fim do dia.
Para quem procura dormida na zona, o Hostel Retiro do Gerês fica na vila e é uma base prática para explorar tanto o miradouro como os restantes pontos de interesse do concelho sem grandes deslocações.
Vale a pena?
Sim, mas com expectativas certas. Não é um miradouro dramático com infraestrutura turística, plataformas de observação ou painéis interpretativos. É um recanto de mata com uma vista que compensa qualquer expectativa de espetáculo: o castelo, a igreja, o Larouco e o Gerês, tudo dentro do mesmo enquadramento. Se está de passagem por Montalegre a caminho de outras paragens do concelho, como as descritas no guia Montalegre Fora do Barroso, ou se anda à procura de sítios para provar cabrito assado segundo o nosso trilho da carne no Barroso, a Corujeira merece um desvio de vinte minutos. Não é o destino principal de uma viagem a Trás-os-Montes, mas é o tipo de paragem que fica na memória depois: silenciosa, gratuita, e sem fila de turistas a disputar o melhor ângulo.
Leve água, leve o casaco, e não conte com wc público nem quiosque no local: é mata equipada com o essencial, mesa e baloiço, nada mais.