Parque de Merendas Senhora da Cabeça
Valença
Valença guarda uma das fortalezas mais bem conservadas de Portugal, com vista directa sobre o rio Minho e Espanha. A pé, são dez minutos até Tui, jantar num país e dormir noutro faz parte da rotina local.
Um serão dentro das muralhas da fortaleza, com vinho verde de produtor, fado em casa séria, e a aguardente bagaceira que ninguém lhe disse para pedir. Guia honesto de petiscos e jantar em Valença, sem listas turísticas.
Da volta de duas horas pela coroa da fortaleza ao trilho sério de 14 km até Vila Nova de Cerveira: seis caminhadas em Valença ranqueadas por dificuldade e por aquilo que vais ver. Com horários honestos, custos reais, e onde almoçar a sério no fim.
Chove em Valença e há sempre alguém a perguntar se vale a pena ficar. Vale, e este guia explica porquê: visita guiada às fortificações, almoço longo no Fatum, cafés sem pressa, e o intervalo de quinze minutos em que a fortaleza fica dourada.
Bacalhau à Minhota, arroz de sarrabulho com rojões e lampreia em época: o que pedir, onde sentar-se e o que evitar nas ementas turísticas dentro das muralhas de Valença. Um guia honesto, sem floreados.
Valença existe por causa de uma fronteira. A fortaleza que domina a cidade foi construída para vigiar o rio Minho e os espanhóis do outro lado, e essa tensão entre dois países, separados por pouco mais de uma ponte, continua a definir tudo o que se passa aqui.
A Fortaleza de Valença é das mais bem conservadas de Portugal. Dois recintos amuralhados ligados por uma ponte, com baluartes que oferecem vistas largas sobre o Minho e Tui, a cidade galega do lado de lá. Ao contrário de muitos monumentos que ficaram como cascas vazias, esta fortaleza ainda tem gente a viver dentro dela, casas, lojas, restaurantes. É também verdade que muitas dessas lojas vendem toalhas e lençóis a preços de feira, o que cria uma atmosfera curiosa: uma praça-forte do século XVII transformada em centro comercial ao ar livre. Aceite a contradição e aproveite para passear pelas ruelas empedradas sem pressa.
A maioria dos visitantes não sai da fortaleza, e isso é um erro. A zona ribeirinha junto ao Minho merece uma caminhada, especialmente ao final da tarde quando a luz desce sobre o rio. A Ponte Internacional que liga Valença a Tui é percorrível a pé, leva menos de dez minutos e permite jantar em Espanha e voltar para dormir em Portugal, ou vice-versa. Esta facilidade de cruzar a fronteira faz parte do quotidiano local e vale a pena experimentá-la.
Estamos no Minho, portanto o vinho verde é obrigatório e a comida tende para o farto. Procure lampreia na época (janeiro a abril), savelha frita, ou um bom bacalhau. Os restaurantes dentro da fortaleza servem refeições decentes, mas os melhores ficam geralmente fora das muralhas, onde os preços também são mais honestos. O Fatum, que já temos no boa.pt, junta fados à refeição, uma combinação que funciona melhor do que parece.
Valença funciona bem como paragem de meio dia se estiver a percorrer o Minho, mas merece uma noite se quiser combinar com Tui e explorar a zona com calma. Aos domingos há mais movimento na fortaleza por causa das compras, o que pode ser bom ou mau dependendo da sua tolerância para multidões. Durante a semana, especialmente fora do verão, vai ter as muralhas quase só para si.