Praia da Figueirinha
Setúbal
Dentro do Parque Natural da Arrábida, a Figueirinha tem água cor de piscina, serra a pique sobre o areal e, ao contrário das vizinhas, uma estrada que chega quase até à praia. É a mais fácil de todas, e é por isso que enche primeiro.
A Praia da Figueirinha fica dentro do Parque Natural da Arrábida, na Estrada Nacional 379-1, 2900-727 Setúbal, e essa localização explica quase tudo sobre o que a torna diferente. Não há prédios de betão a competir com a paisagem, não há avenida de restaurantes de fast food a bloquear a vista. O que há é a serra a cair quase a pique sobre a água, cortada por pinheiros e matagal mediterrânico, e um areal amplo que aguenta bem a multidão de agosto sem parecer sardinha em lata. Tem bandeira azul, o que na prática significa água tratada, nadadores-salvadores no verão e um mínimo de infraestrutura decente.
A cor da água é o que todos mencionam primeiro, e com razão. É um turquesa que parece fora de contexto na costa atlântica portuguesa, mais próximo do que se espera do Mediterrâneo do que do Atlântico. A explicação é geológica: a baía está protegida pela serra, o fundo é maioritariamente arenoso e a água é mais parada do que nas praias abertas ao largo. O resultado é que dá para ver o fundo a vários metros de profundidade, o que faz da Figueirinha uma das poucas praias na região onde snorkeling básico vale mesmo a pena.
O acesso é uma das grandes vantagens desta praia, e é por isso que costuma estar entre as primeiras escolhas de quem visita a zona pela primeira vez. Ao contrário de outras praias da Arrábida que exigem descidas por trilhos de terra batida ou escadarias infinitas, a Figueirinha tem estrada até perto do areal e parque de estacionamento pago em época alta. Isto significa mais gente, sim, mas também significa que é uma opção viável para quem viaja com crianças pequenas, com pessoas de mobilidade reduzida ou simplesmente sem paciência para caminhadas com uma arrastadeira de praia às costas.
Se procura algo mais isolado e está disposto a caminhar, vale a pena considerar a Praia dos Galapinhos, frequentemente apontada como uma das mais bonitas do país, ou a Praia do Creiro, mais recatada e com menos azáfama de estacionamento. Mas se o objetivo é chegar, estacionar e entrar na água sem drama logístico, a Figueirinha ganha.
A categoria de preço da praia em si é baixa (€), o que reflete o facto de o acesso ao areal ser gratuito, sendo o custo real o do estacionamento em época alta, que pode ser significativo em julho e agosto. Não há horário de funcionamento fixo divulgado, pelo que a recomendação prática é a habitual para praias naturais: chegar cedo, sobretudo em fins de semana de verão, porque o parque de estacionamento enche a meio da manhã e não reabre vagas até início da tarde. Leve dinheiro para o estacionamento e para os quiosques de praia, que nem sempre têm terminal multibanco a funcionar. Não é preciso reserva para a praia, obviamente, mas se planeia almoçar num dos restaurantes de apoio de praia em agosto, aparecer às 13h sem plano B é arriscado.
Vá vestido para o sol sem sombra artificial suficiente: a serra dá sombra parcial em algumas zonas ao final da tarde, mas o grosso do areal está exposto. Chapéu-de-sol ou tenda de praia são essenciais, protetor solar reaplicado com frequência também, porque a reflexão da água clara e da areia clara intensifica a exposição.
Setúbal é uma cidade com identidade gastronómica muito própria, ligada ao mar e à ostreicultura, e vale a pena dedicar-lhe tempo para lá da praia. Para perceber a cidade além do areal, o guia Cultura Local em Setúbal: Tradições, Gastronomia e Alma Sadina dá contexto útil sobre tradições e gastronomia locais. Para a noite, o Stichini Bar é uma opção na cidade para quem quer prolongar o dia depois do pôr do sol na serra.
Se está a planear a viagem para o pico do verão, o guia Esqueça o Algarve: Em Julho, as Praias São em Setúbal explica porque é que esta zona compete de perto com o Algarve em julho, com menos trânsito e menos preços inflacionados. E para quem quer explorar a costa e a serra com mais profundidade, incluindo surf e falésias, o guia Setúbal: O Segredo da Arrábida e o Surf Entre Falésias é o ponto de partida certo.
Sim, com uma ressalva: a Figueirinha é ótima porque é acessível, e é por isso mesmo que enche. Se vai em julho ou agosto, encare-a como a praia do primeiro dia, a que serve para se orientar na zona, comer algo simples e nadar em água limpa sem grandes surpresas. Para dias seguintes, explore as vizinhas. Mas para uma primeira visita à Arrábida, com crianças, pais idosos ou simplesmente sem vontade de caminhar trinta minutos por trilho, é a escolha certa. Consulte sempre condições de estacionamento e eventuais restrições de acesso diretamente junto das entidades locais antes de viajar, porque podem variar de época para época.