Guimarães Pass: A Maratona de Museus Que Vale a Pena
Testámos o Guimarães Pass, que por 15 euros dá acesso a onze museus e monumentos da cidade em quatro dias. Fizemos sete espaços num só dia e a lição foi clara: a atenção esgota-se antes das pernas.
Comprei o Guimarães Pass às nove da manhã, no Posto de Turismo da Praça de São Tiago, com a ideia fixa de visitar o máximo de espaços possível num único dia. Saí de lá com um cartão, um mapa dobrado em oito e uma senhora simpática a avisar-me: "leve água, vai andar muito". Ela tinha razão. Não é a forma mais preguiçosa de conhecer a cidade onde Portugal aprendeu a ser Portugal, mas é de longe a mais completa, e a única forma de perceber, em oito ou nove horas, porque é que esta cidade tem tantos museus para o seu tamanho.
O que é o Guimarães Pass, na prática
O Guimarães Pass é vendido pela Turismo de Guimarães, a entidade oficial de turismo do município, e não por nenhuma agência privada. Isso já diz muito sobre a fiabilidade do produto: os preços e as condições não mudam consoante a plataforma onde compra. Existem duas versões: a normal, a 15 euros, que dá acesso com preço reduzido a onze espaços culturais da cidade e arredores, e a versão com Teleférico de Guimarães incluído, a 18 euros, que soma a viagem de ida e volta até ao Penha. Há desconto para jovens e para maiores de 65 anos (o pass fica por cerca de 10 euros, ou 11,50 euros com teleférico), e entrada gratuita para menores de 12 anos.
O cartão é pessoal e intransmissível, e funciona como um passaporte de carimbos: em cada local que visita, apresentam o cartão, carimbam ou validam, e segue para o seguinte. É válido por quatro dias seguidos a partir da primeira utilização, portanto não precisa de fazer tudo no mesmo dia, mas eu quis testar se dava.
Os espaços incluídos
A lista pode variar ligeiramente consoante obras ou fecho temporário de algum espaço (a Turismo de Guimarães avisa mesmo para confirmar antes de comprar, por causa disso), mas inclui normalmente:
- Paço dos Duques de Bragança
- Castelo de Guimarães
- Museu de Alberto Sampaio
- Casa da Memória de Guimarães
- Centro Internacional das Artes José de Guimarães
- Centro de Ciência Viva (Curtir Ciência)
- Palácio Vila Flor
- Museu Arqueológico da Sociedade Martins Sarmento
- Museu da Cultura Castreja e Citânia de Briteiros
- Percurso Museológico no Convento de Santo António dos Capuchos
Onze paragens, ao todo, entre a cidade e a zona de Briteiros, a cerca de 10 km. Fazer tudo a pé, num só dia, é ambicioso e, sendo sincero, um pouco exagerado. A Citânia de Briteiros merece a manhã inteira só para ela e fica melhor guardada para um segundo dia, ou para quem tem carro.
Como organizei a maratona
Comecei pelo centro histórico, onde tudo está a cinco ou dez minutos a pé: Paço dos Duques, depois o Castelo logo ao lado (a subida às ameias é a parte que todos os miúdos adoram, e com razão), e a seguir o Museu de Alberto Sampaio, instalado junto à Colegiada de Nossa Senhora da Oliveira. Estes três, feitos assim em sequência, ocupam uma manhã tranquila, sem correrias.
À tarde mudei de registo: Casa da Memória, que é mais interativa e conta a história recente da cidade, depois o Centro Internacional das Artes José de Guimarães, instalado no antigo Mercado Municipal, com a coleção de arte de José de Guimarães. Estes dois ficam a cerca de 15 minutos a pé um do outro, já a sair do centro mais denso.
Deixei o Centro de Ciência Viva e o Palácio Vila Flor para o fim do dia, mais por proximidade do que por outra razão, e confesso que cheguei ao sexto ou sétimo espaço já a andar mais devagar e a ler menos legendas. É esse o limite real de uma maratona de museus: por volta do quinto espaço, a atenção começa a esgotar-se antes das pernas.
A ordem que recomendo
Se só tiver um dia, faça o centro histórico de manhã (Paço, Castelo, Alberto Sampaio), almoce com calma, e à tarde escolha só mais dois ou três espaços em vez de tentar tudo. Guarde a Citânia de Briteiros para outro dia: fica fora da cidade, é um sítio arqueológico ao ar livre e não combina bem com pressa.
O que levar
- Calçado confortável, vai andar vários quilómetros entre espaços
- Água, sobretudo se visitar entre maio e setembro
- O cartão do pass sempre à mão, é pedido em cada entrada
- Um casaco leve para o Castelo e para a Citânia de Briteiros, onde bate mais vento
Onde comprar
Pode comprar o Guimarães Pass online, através da plataforma oficial de bilhética, ou presencialmente em qualquer um dos espaços participantes e no Posto de Turismo da Praça de São Tiago. Recomendo comprar presencialmente logo de manhã: já ficam com o mapa em papel e com alguém a explicar, ao vivo, quais os espaços que estão a funcionar nesse dia, porque há sempre algum em obras ou com horário reduzido fora de época alta.
Depois da maratona
Ao final do dia, com as pernas a pedir descanso, o mais sensato é ficar por perto. O Hotel de Guimarães e a Pousada Mosteiro de Guimarães ficam ambos a distância curta do centro histórico, o que evita mais caminhada depois de um dia inteiro em pé. E se ainda tiver energia para um copo antes de jantar, o Rooftop Bar do Eurostars Santa Luzia tem vista sobre a cidade e é um bom sítio para rever, com calma, as fotos do dia.
Para quem quer poupar ainda mais e combinar a maratona de museus com outros programas gratuitos na cidade, vale a pena ler também o nosso guia de Guimarães sem gastar, que lista o que se pode ver sem pagar entrada nenhuma.
Vale a pena?
Sim, mas com uma ressalva: o Guimarães Pass compensa se estiver a pensar visitar pelo menos quatro ou cinco dos espaços incluídos, porque aí a poupança face aos bilhetes individuais ronda os 50%. Se só quer ver o Paço dos Duques e o Castelo, o bilhete conjunto normal, a 6 euros, sai mais barato do que o pass. Mas se, como eu, gosta de esgotar uma cidade num dia e sair de lá com as pernas cansadas e a cabeça cheia, a maratona completa é a melhor forma de perceber porque é que Guimarães insiste tanto em contar a sua própria história, museu atrás de museu.