Museu da Cortiça — Fábrica do Inglês
Silves
Um museu construído literalmente à volta de um poço-cisterna almóada de 18 metros do século XII, no coração da Silves histórica. Descubra por que vale mais do que o castelo para quem quer entender a antiga Xelb.
O Museu Municipal de Arqueologia de Silves não é um edifício construído para guardar peças antigas. É o contrário: descobriram as peças primeiro, quando escavavam para outra coisa, e construíram o museu à volta do buraco. Esse buraco é um poço-cisterna almóada dos séculos XII-XIII, com mais de 18 metros de profundidade, e é ele que domina o piso térreo assim que se entra. Não há como ignorá-lo. Desce-se por uma escadaria em espiral construída propositadamente para que o visitante circule à volta da estrutura original, e a certa altura percebe-se que se está literalmente dentro da Silves islâmica, não a olhar para ela através de vitrine.
Fica na Rua das Portas de Loulé, 14, mesmo no centro histórico, a poucos minutos a pé do castelo e da Sé. Se estiver hospedado num dos hostels da zona velha, como o Horta Grande Hostel ou o Hostel Supremo, chega-se a pé sem problema, é tudo ladeiras e ruas estreitas típicas da cidade. De carro, há que se resignar a estacionar fora do centro e caminhar, como em quase toda a Silves antiga.
A coleção é, sem exagero, uma das maiores do país dedicadas ao período islâmico, e isso não é conversa de folheto: Silves foi Xelb, capital de um reino taifa, e a cidade islâmica que existiu aqui rivalizava em importância com Lisboa. O museu organiza o espólio por temas, cerâmica utilitária e decorada, elementos arquitetónicos, objetos do quotidiano, e há salas dedicadas à evolução urbana da cidade desde a pré-história até à Idade Moderna. Não é um museu gigantesco, dá para ver com calma numa hora, hora e meia, o que o torna perfeito para intercalar com o castelo sem esgotar o dia todo.
O bilhete é de custo baixo (€), o que para a qualidade do que se mostra é generoso. Não há informação de horário disponível diretamente aqui, por isso o mais seguro é confirmar antes de ir, seja pelo telefone (+351 282 444 838) seja no site oficial da Câmara Municipal. Museus municipais em Portugal costumam fechar à segunda-feira e ter pausa ao almoço, mas isto é assumir, não facto confirmado, por isso confirme diretamente.
Sim, e diria mesmo que é mais interessante do que o castelo para quem quer perceber Silves para além da fortaleza vermelha nas fotos. O castelo dá a escala e a vista, o museu dá o contexto: quem viveu ali, o que comiam, como construíam, como geriam a água numa região onde a água sempre foi negócio sério. Para quem já leu ou vai ler o nosso guia sobre o legado islâmico de Xelb em Silves, este museu é praticamente a continuação natural da visita, é onde as histórias contadas no guia ganham objetos físicos à frente dos olhos.
Não é um sítio pensado para quem quer só uma foto rápida. É pequeno, sim, mas denso, e a peça central, o próprio poço, exige alguns minutos parado a olhar para baixo para se perceber a escala da engenharia do século XII. Não há loja de recordações grande nem cafetaria dentro do museu, por isso não conte almoçar ali. Depois da visita, o mais lógico é descer até ao centro e comer qualquer coisa simples e boa, e aqui a recomendação é directa: vá até às Bifanas do Marinho, que fica perto e resolve a fome sem cerimónia.
Em resumo: não é grande, não é caro, e não tenta ser mais do que é. É um poço do século XII com um museu bem pensado à volta dele, na rua certa do centro histórico de Silves, e para quem gosta de perceber as cidades por baixo da superfície turística, vale mais do que muitos museus três vezes maiores.