Pastelaria Confeitaria Manuel Natário
Viana do Castelo
Enquanto o sul cozinha turistas, Viana do Castelo mantém o seu segredo: o Atlântico que gela e o vento que arrefece tudo. Da travessia para o Cabedelo às piscinas naturais da Praia Norte, o guia honesto para um verão fresco no Minho.
Os Santos Populares são em junho e a Agonia é em agosto, mas julho é quando o Alto Minho faz as festas a sério: arraiais de freguesia anunciados a foguetes, sardinha na broa e caldo verde à meia-noite. Guia prático para os encontrar a partir de Viana do Castelo, com praias para os dias e fado para as noites sem festa.
Viana do Castelo é um refúgio de integridade e tradição no Norte de Portugal. Este guia explora como vivenciar a cidade de forma ética, desde a gastronomia de proximidade até à preservação dos seus ecossistemas naturais.
Viana do Castelo é a porta de entrada para um Minho autêntico e telúrico. De Ponte de Lima a Barcelos, este roteiro explora as paisagens de granito, a gastronomia de substância e o artesanato que molda a identidade do norte de Portugal.
Viana do Castelo é a cidade mais bonita do Norte, e esta não é uma opinião controversa. É uma afirmação que qualquer português faz com naturalidade, normalmente seguida de um encolher de ombros, como se fosse óbvio. A questão é que Viana não vive dessa reputação. Vive do rio, do mar, da pedra manuelina que ainda se mantém de pé na Praça da República e do ouro que as mulheres continuam a usar ao domingo.
O centro histórico organiza-se entre a Praça da República, com os seus antigos Paços do Concelho e a Igreja da Misericórdia, e o rio Lima, que desagua ali mesmo no Atlântico. A Rua de São Pedro e a Rua da Bandeira concentram o comércio mais genuíno, entre lojas de filigrana e pastelarias onde a bola de Berlim ainda custa o que deve custar. A marina dá acesso directo ao Cabedelo, do outro lado do rio, por ferry, uma travessia de cinco minutos que muda completamente a paisagem.
O Santuário do Sagrado Coração de Jesus, lá em cima no Monte de Santa Luzia, é o postal obrigatório. Sobe-se de funicular, de carro ou a pé, a pé leva uns 40 minutos e vale o esforço, sobretudo ao final da tarde. A vista sobre o estuário do Lima, com a cidade em baixo e o mar ao fundo, é das melhores de Portugal. Ao lado do santuário, as ruínas da Citânia de Santa Luzia mostram um castro com mais de dois mil anos, bem menos visitado do que merece.
Viana é terra de bacalhau, à Viana do Castelo, com batata a murro e muito azeite, mas o arroz de sarrabulho e o cozido à portuguesa minhoto são igualmente sérios. Para doces, as tortas de Viana e as clarinhas são o que se pede com café. Os restaurantes ao longo da Rua dos Manjovos e junto à marina servem peixe fresco a preços que Lisboa já esqueceu.
A melhor altura para visitar é entre Maio e Setembro. Em Agosto, a Romaria da Senhora d'Agonia transforma a cidade: há desfile da mordomia, gigantones nas ruas, tapetes de flores e fogo-de-artifício sobre o rio. É a maior festa do Minho, e sozinha justifica a viagem. Fora da romaria, dois a três dias são suficientes para conhecer bem a cidade e fazer incursões às praias, o Cabedelo para kitesurf, a Praia Norte para ondas grandes, Afife para sossego.
Viana funciona também como base para explorar o Alto Minho. Ponte de Lima, Caminha e Valença ficam todas a menos de 40 minutos. Mas não tenha pressa de sair, a cidade em si dá mais do que aparenta à chegada.