Leiria de Bicicleta: do Pinhal ao Castelo
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Leiria de Bicicleta: do Pinhal ao Castelo

· · Leiria

Leiria não é conhecida por ciclismo, mas tem um pinhal centenário plano e sombreado para quem começa, e colinas a sério rumo a Fátima para quem já pedala há uns anos. Dois ritmos, um único concelho.

Ninguém pensa em Leiria como destino de ciclismo. Pensam em Óbidos, pensam na Serra da Estrela, pensam no Douro com as suas encostas de vinha a pique. Mas Leiria tem uma coisa que poucos sítios em Portugal têm: um pinhal enorme, plano, sombreado e praticamente vazio de trânsito, que liga a cidade ao mar. E depois, se quiser subir a parada, tem colinas a sério a leste, na direção de Fátima. É um concelho que serve dois tipos de ciclista completamente diferentes, e é isso que o torna interessante.

Para quem começa: o Pinhal de Leiria

O Pinhal de Leiria foi plantado no século XIII, por ordem de D. Dinis, para travar o avanço das areias sobre os campos agrícolas. Setecentos anos depois, é o melhor argumento a favor do ciclismo fácil que este país tem para oferecer. Terreno plano, areia compactada em muitos troços, pinheiros altos que fazem sombra o dia inteiro. Entra-se pela zona da Marinha Grande ou por Leiria e pedala-se em direção à costa, até São Pedro de Moel, sem uma única subida que mereça esse nome.

É o sítio certo para quem nunca pedalou fora de uma cidade, para famílias com crianças, para quem quer uma tarde de bicicleta sem sofrimento. Não há nada de espetacular a fotografar a cada cem metros, e é exatamente por isso que funciona: o pinhal é sobre o ritmo, o cheiro a resina, o som dos pneus na areia batida. Leve água. As fontes não são garantidas e em agosto a sombra ajuda, mas o calor acumula-se de qualquer maneira.

A cidade em si: do castelo ao rio

Leiria cidade merece uma manhã à parte, mesmo antes de sair para o pinhal. O Castelo de Leiria fica em cima de uma colina que domina o rio Lis, e a subida a pé (ou a empurrar a bicicleta, sejamos honestos) já é um pequeno treino. Lá em cima, a vista sobre os telhados e sobre o vale compensa. Depois desce-se até ao rio, onde há um passeio ribeirinho tranquilo, bom para aquecer as pernas antes da rota maior ou para arrefecer depois dela.

É também aqui que se resolve a questão de comer bem, e Leiria não desilude. A Casinha Velha é referência antiga na cidade, cozinha portuguesa sem artifícios, o tipo de sítio onde se come um prato de bacalhau e se pensa duas vezes antes de pedir sobremesa porque as doses não brincam. Para quem prefere algo mais informal depois de um dia inteiro na bicicleta, uma taverna com boa carne e vinho da região resolve sem complicações. E se procura uma refeição mais cuidada, com pratos trabalhados e menos regionais, há opções na cidade que fogem ao óbvio sem se perderem em pretensão.

Para quem já pedala há uns anos: rumo ao interior

Quem já tem pernas e quer subir de nível, o pinhal rapidamente se torna repetitivo. A alternativa é virar para leste, para o interior do concelho, onde o terreno começa a ondular a sério na aproximação à Serra de Aire e Candeeiros. As estradas secundárias por ali, entre olivais e pequenas povoações, são o tipo de percurso onde se ganha ritmo cardíaco a sério, sem tráfego pesado a complicar a vida.

Uma variante popular entre ciclistas mais experientes da região é seguir na direção de Fátima. O santuário atrai sobretudo peregrinos a pé, mas a estrada que liga Leiria a Fátima é também percorrida por quem prefere duas rodas, especialmente fora das grandes datas de peregrinação. Se planeia isso para maio, vale a pena ler primeiro o nosso guia honesto sobre a peregrinação de 13 de maio, porque nesses dias as estradas enchem-se de peregrinos e o trânsito muda de figura por completo. Fora dessas datas, é uma rota tranquila, com subidas moderadas e boa visibilidade.

O que levar e quando ir

  • Primavera (março a maio) e outono (setembro a outubro) são as alturas ideais: temperaturas amenas, menos gente, menos calor no pinhal.
  • No verão, saia cedo. Antes das 9h o pinhal ainda tem frescura e a estrada para o interior não está a ferver.
  • Não há muitas lojas de aluguer de bicicletas de qualidade dentro da cidade de Leiria, ao contrário de Óbidos ou Coimbra. Se não tem bicicleta própria, é mais garantido reservar com antecedência através do alojamento.
  • Água e protetor solar são obrigatórios nas rotas do interior. No pinhal, a sombra ajuda, mas não substitui a hidratação.

Onde dormir depois de um dia de pedal

Depois de um dia inteiro em cima da bicicleta, o alojamento certo faz toda a diferença. A Quinta do Bamby é uma boa opção para quem quer acordar já perto do campo, longe do barulho, com espaço para deixar a bicicleta em segurança e talvez até estender a roupa suada ao sol. Para quem prefere algo com mais isolamento e um ritmo verdadeiramente rural, há alojamentos na zona que apostam em silêncio e natureza em vez de piscina e wifi de alta velocidade, o que, para quem só quer descansar as pernas, é exatamente o que se procura.

Se está a planear ficar mais do que um dia e quer combinar o ciclismo com outra coisa completamente diferente, vale a pena considerar o retiro privado em Arrabal, na Villa Nour, para uma pausa de luxo rural que não tem nada a ver com pedalar, mas que serve perfeitamente para recuperar músculos no dia seguinte.

Uma pausa que não é sobre pedalar

Nem tudo em Leiria tem de ser sobre quilómetros. Na Bajouca, uma freguesia do concelho com tradição antiga de olaria, é possível parar a rota e experimentar um workshop de olaria tradicional, das mãos de quem faz isto há gerações. É um bom contraponto físico: depois de horas de pernas, umas horas de mãos, à roda do oleiro, a moldar barro em vez de estrada.

Combinações para quem tem mais dias

Se Leiria for a base de uma escapadela mais longa, há sítios próximos que compensam a viagem, mesmo sem bicicleta envolvida. Caldas da Rainha, um pouco a norte, tem percursos pedestres muito bons pela zona da lagoa e do parque, e temos um guia honesto sobre os trilhos de abril por lá que vale a pena consultar se quiser trocar a bicicleta pelas botas por um dia. É uma boa forma de dar descanso às pernas de uma maneira e cansá-las de outra.

O resumo prático

Leiria não vai substituir o Douro nem a Serra da Estrela no imaginário do ciclismo português, e não é essa a intenção. O que oferece é versatilidade: um pinhal plano e generoso para quem quer começar ou simplesmente relaxar em cima de duas rodas, e colinas a sério para quem quer suar de verdade, tudo isto a uma curta distância de uma cidade onde se come bem e se dorme melhor. Não é preciso escolher entre esforço e conforto. Em Leiria, cabem os dois no mesmo fim de semana.

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