Ponte de Lima em Setembro: o Rio Sem as Multidões
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Ponte de Lima em Setembro: o Rio Sem as Multidões

· · Ponte de Lima

Em agosto, o rio em Ponte de Lima parece uma piscina pública lotada. Em setembro, com as crianças de volta à escola, a água ainda a 20 graus e a costa a meia hora de distância, a vila devolve-se a quem sabe esperar.

Em agosto, a Praia Fluvial de Ponte de Lima parece uma extensão da praia de Espinho: toalhas encostadas a toalhas, miúdos a gritar entre o Passeio das Amoras e a ponte romana, filas para o gelado. Chegue no primeiro fim de semana de setembro e é outra vila. As crianças já estão na escola, os lisboetas voltaram para o trabalho e sobra só quem sabe: o rio ainda está quente, o sol ainda pica ao meio-dia, e agora há espaço para estender uma toalha sem negociar meio metro de areia com o vizinho.

Este é o segredo que os portugueses do Minho não anunciam: setembro é o mês em que a região inteira relaxa. As pousadas baixam preço, os restaurantes deixam de ter fila e o rio Lima, que em agosto é uma piscina pública, em setembro devolve-se a quem mora aqui.

A praia que não é praia (mas devia contar)

Ninguém de fora chama-lhe praia, mas para quem cresceu em Ponte de Lima, a faixa de areia entre o Passeio das Amoras e o Arnado é exactamente isso: a praia da vila. Não há ondas, não há sal, mas há profundidade suficiente para nadar a sério, sombra de plátanos centenários para quem prefere ler do que nadar, e em setembro a água ainda ronda os 20 graus depois de um verão inteiro a aquecer. Chegue antes das 10h e vai ter o rio praticamente só para si, com a garça-real que vive por ali a pescar sem se preocupar com banhistas.

O truque local é combinar o banho de manhã com um almoço tardio. É aqui que entra o Restaurante O Lagar, a poucos minutos a pé do rio, onde o bacalhau à lagareiro continua a ser a ordem certa e o azeite não é decoração, é o prato principal disfarçado. Em setembro, sem grupos de turistas de autocarro, consegue-se mesa na esplanada sem reserva feita com um mês de antecedência.

Para quem quer sal a sério: o desvio até à costa

Há quem discorde de mim e diga que rio não é praia. Tudo bem. Para esses, o segredo dos locais é outro: fazer os 30 a 40 minutos de carro até à costa de Viana do Castelo. A Praia do Cabedelo, com dunas e ondas que atraem surfistas o ano inteiro, ou Afife, mais selvagem e menos vigiada, ficam a uma distância que em agosto ninguém quer fazer duas vezes num dia (trânsito na A28 a sério), mas que em setembro se torna um passeio tranquilo.

A lógica de quem mora em Ponte de Lima é simples: manhã de mar em Afife ou Cabedelo, onde a água do Atlântico ronda os 18 graus mesmo em setembro (leve fato de neopreno fino se for sensível ao frio), e regresso ao final da tarde para o calor seco do interior. Ninguém troca a comodidade do rio pela viagem todos os dias, mas uma vez por semana, com o sol ainda a picar e a praia sem ninguém, vale a pena.

O que levar, o que não levar

  • Chapéu e protetor solar: em setembro o sol de meio-dia ainda queima, mesmo que a temperatura do ar pareça mais amena.
  • Toalha, não guarda-sol: os guarda-sóis de aluguer nas praias oceânicas fecham serviço a partir de meados de setembro.
  • Dinheiro trocado: alguns quiosques de praia na costa reduzem horário fora da época alta e nem sempre têm multibanco.

Depois da praia, o ritual do silêncio

Há uma razão pela qual setembro é o mês preferido de quem trabalha no turismo de bem-estar da região: o calendário abranda e os spas deixam de estar cheios de casais em lua-de-mel de agosto. É a altura certa para experimentar o ritual do silêncio no Axis Wellness Ponte de Lima, uma experiência pensada exatamente para quem passou o dia ao sol e quer que a tarde termine devagar, sem telemóvel, sem lista de tarefas. Depois de uma manhã de água salgada ou fluvial, o corpo agradece.

Para quem prefere estender a pausa por uma noite inteira, há outra opção que raramente aparece nos roteiros óbvios: o refúgio silencioso no Carmo's Boutique Hotel, um daqueles sítios que não tenta ser nada além do que é: quarto confortável, jardim tratado, e a garantia de que ninguém vai bater à porta às 8h da manhã com uma lista de atividades. Em setembro, com a vila mais vazia, é possível reservar em cima da hora, coisa impensável em julho ou agosto.

Jantar sem fila, cultura sem multidão

Se O Lagar é a certeza do almoço, o jantar em Ponte de Lima tem outro nome que vale a pena guardar: o Restaurante Beco das Selas, escondido numa rua estreita do centro histórico, onde a cozinha minhota tradicional se faz sem pressa e sem menu turístico traduzido em quatro línguas. Peça o que o empregado recomendar nesse dia, não o que está mais destacado na ementa: é assim que se come melhor por aqui.

A poucos minutos a pé, o Teatro Diogo Bernardes costuma ter programação mais leve em setembro, mas vale a pena verificar o cartaz antes de ir: é um dos poucos teatros de vila deste tamanho que ainda tem uma companhia residente ativa, e uma noite de música ou teatro por aqui custa uma fração do que se paga numa sala em Lisboa ou no Porto.

Quando esticar a viagem pelo resto do Minho

Setembro também é o mês certo para quem quer usar Ponte de Lima como base e espreitar o resto da região sem pressa. Barcelos fica a menos de uma hora e, se madrugar, vale a pena seguir o nosso guia sobre onde os locais de Barcelos tomam o pequeno-almoço de verdade antes de enfrentar o mercado. Quem já anda a planear a próxima primavera pode também ler sobre a Festa das Cruzes em Barcelos, uma das festas mais genuínas da região, sem nada a ver com setembro mas que vale marcar no calendário do ano seguinte.

Para quem tem um dia inteiro livre e quer trocar o Lima por outro rio, Melgaço fica a cerca de uma hora a norte e é já tema de outro dos nossos guias: um fim de semana entre Alvarinho e termas. Não é o mesmo tipo de calor do rio de Ponte de Lima, mas as termas em setembro, com as noites já mais frescas, ganham outro sentido.

Como chegar e quanto gastar

Ponte de Lima fica bem servido pela A3 e depois pela A27, a cerca de 25 minutos do Porto se o trânsito ajudar (raramente ajuda perto de Braga à hora de ponta). De comboio, a estação mais próxima com ligação direta é Viana do Castelo, de onde se apanha um táxi ou autocarro local até à vila, cerca de 30 minutos.

Em termos de custo, um dia típico de setembro por aqui fica longe dos preços de agosto: almoço no Lagar ronda os 20 a 25 euros por pessoa com vinho, o ritual de bem-estar no Axis custa o que custaria em qualquer spa de qualidade fora de Lisboa, e uma noite no Carmo's, fora da época alta, costuma ter tarifas sensivelmente mais baixas do que em julho. A viagem até à costa não custa mais do que a gasolina e, se decidir ficar por lá para o jantar, um petisco de peixe grelhado num restaurante simples de Viana do Castelo custa metade do que pagaria numa marisqueira turística no Algarve.

No fim, o segredo não é complicado: os portugueses não fogem das praias em setembro, fogem das multidões de agosto. E em Ponte de Lima, entre o rio, o Lima e a costa a meia hora de distância, há espaço de sobra para os dois.

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