Loulé em Setembro: Onde Comer Marisco Fresco na Costa
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Loulé em Setembro: Onde Comer Marisco Fresco na Costa

· · Loulé

Loulé não tem mar, mas é a melhor base para o encontrar: castelo, mercado mourisco e uma pastelaria francesa na vila, cataplana e arroz de marisco a 15 minutos, em Quarteira e Vilamoura. Setembro, com o mar a 23°C e sem filas, é o mês certo para fazer as duas coisas.

Loulé não fica na costa. É preciso dizer isto já no início, porque quem chega a esta vila do interior algarvio à procura de amêijoas e percebes vai ficar confuso: aqui há cúpulas mouriscas, um castelo, ruas com sombra ao meio-dia, mas nenhum barco de pesca a descarregar na esquina. O marisco está a 15, 20 minutos de carro, em Quarteira e Vilamoura. E é exatamente por isso que Loulé funciona como base: dorme-se e janta-se bem na vila, guia-se até à costa para o peixe do dia, e volta-se a tempo do fresco da noite sem enfrentar o trânsito da marginal em agosto. Só que agora é setembro, o trânsito já não existe, e essa logística toda deixa de ser um plano B para se tornar, sinceramente, a melhor forma de fazer isto.

A vila como quartel-general

Fico sempre surpreendido com quem reserva um apartamento em Vilamoura só para ter a marina à porta e depois passa a semana a queixar-se do preço do café. Loulé resolve isso. O CASA BRAVA é o tipo de alojamento local que faz sentido para quem quer isto dos dois lados: a vida de vila de manhã, a praia à tarde. Fica-se a uma curta caminhada do centro histórico, o que significa acordar sem pressa, descer a pé até ao mercado, e só depois decidir se vale a pena o carro até à costa.

E vale sempre a pena começar pela vila. O Castelo de Loulé não é grandioso como Silves, mas tem uma vantagem que poucos castelos algarvios oferecem: o museu municipal de arqueologia funciona dentro da antiga alcaidaria, com paredes que ainda mostram a construção islâmica por baixo da reconstrução do século XIII. Vinte minutos ali, antes do calor apertar, situam a vila de uma forma que nenhuma praia consegue. Afonso III tomou Loulé aos mouros em 1249, no dia de São Clemente, e isso explica tanto o traçado das ruas como as próprias cúpulas do mercado municipal, erguido já no século XX mas desenhado propositadamente à moda neoárabe.

Onde comer em terra firme

Se é para ficar na vila ao jantar, o Restaurante Bocage está lá desde 1984 e não precisa de reinventar nada. Fica na Rua Bocage, perto da Praça da República, e traz peixe fresco à mesa todos os dias ao lado da cozinha algarvia mais tradicional: carnes grelhadas, pratos do dia, sem encenação de menu para turistas. É o tipo de casa onde os preços ainda fazem sentido e o empregado não estranha se pedir só a sopa e o peixe grelhado, sem entradas de circo.

De manhã, antes de qualquer plano para a costa, vale o desvio à Pastelaria L'atelier Gourmet, mesmo ao lado do mercado municipal. É uma pastelaria francesa a sério, aberta por Liliana Varela e Stephane da Costa depois de trocarem Paris pelo Algarve, e o croissant de pistácio já tem fama a justificá-lo. Aos sábados de manhã enche rápido, por isso quem quer levar alguma coisa para o caminho até Quarteira faz melhor em chegar cedo ou encomendar antes.

A rota do marisco: Quarteira primeiro, Vilamoura depois

O Mercado do Peixe e da Fruta de Quarteira funciona de segunda a sábado, das 8h às 14h, mesmo junto ao porto, no Largo do Mercado. Não é decoração para postal: é ali que os restaurantes da zona compram, e é ali que se vê o que realmente está fresco naquele dia, antes de qualquer menu decidir por si. Chegar às 9h, ver o gelo ainda a escorrer das caixas, é o oposto de sentar-se numa esplanada da marginal às 20h a pedir a mesma robalada que pediram os últimos trinta turistas.

Depois do mercado, a escolha é simples: ficar em Quarteira, mais informal, com restaurantes de marisco na faixa junto ao passeio marítimo que recebem peixe fresco todas as manhãs, ou seguir os cinco quilómetros até à marina de Vilamoura, onde a vista para os iates custa mais caro mas a cataplana de marisco e o arroz de marisco continuam a ser os pratos certos a pedir, feitos como devem ser feitos: com açafrão a sério, não corante, e marisco que ainda sabe a mar. Setembro ajuda aqui de forma muito concreta: sem as filas de agosto, os restaurantes têm tempo para cozinhar em vez de despachar, e isso nota-se no prato.

Quanto a custos, contem com mais em Vilamoura do que em Quarteira só pela vista; e mais em Quarteira do que numa tasca de vila só pelo marisco em si. Os preços variam bastante consoante a estação do marisco e a casa, por isso a única regra fiável é perguntar o preço do quilo antes de fechar o pedido, sobretudo em pratos vendidos ao peso.

Porque é que setembro é o mês certo

A água do mar no Algarve ronda os 23°C em setembro, com o ar entre os 21°C e os 30°C de dia, o que significa praia sem o forno de agosto e ainda mar quente o suficiente para não hesitar antes de entrar. É a mesma lógica que já explicámos a propósito de Aljezur: o conselho de como evitar as multidões no Algarve em agosto aplica-se aqui sem grandes ajustes. Em Loulé e na sua costa, essa fuga às filas já não é preciso planear: acontece sozinha a partir de meados de setembro, quando as famílias portuguesas voltam ao trabalho e às aulas e sobra o Algarve para quem sabe que este é, na verdade, o melhor mês do ano para vir.

O que fazer entre uma refeição e a próxima

Nem só de marisco vive a viagem. Quem gosta de história tem sete polos museológicos espalhados por Loulé, e a experiência Maratona de Museus em Loulé mostra como percorrê-los todos sem perder o dia inteiro nisso. Para quem prefere desacelerar depois de dois dias de peixe e cataplana, há um retiro de ioga na Serra de Loulé, no Wild View, com vista para o interior do concelho em vez do mar, o contraponto certo à agitação costeira.

Se a viagem incluir crianças e o marisco não for consenso à mesa, vale olhar para Silves, a menos de meia hora dali, com um guia honesto sobre como levar a família sem drama. E quem quiser perceber o Algarve para lá das praias e dos restaurantes de marisco, com tradições que continuam vivas fora da época alta, tem em Faro um retrato de cultura local e vivências autênticas que complementa bem esta lógica de vila-base que Loulé representa tão bem.

Guia prático

  • Como chegar: Loulé fica a cerca de 16 km do Aeroporto de Faro, uns 14 minutos de carro. Quarteira fica a 12,6 km de Loulé (18 minutos) e Vilamoura a 13,1 km (19 minutos). Sem carro, a logística complica-se bastante, por isso vale a pena alugar um, mesmo que só para os dias de praia.
  • Quando ir ao mercado do peixe: Segunda a sábado, das 8h às 14h, em Quarteira. Cedo é sempre melhor.
  • O que pedir: cataplana de marisco e arroz de marisco na costa; peixe grelhado do dia numa tasca de vila como o Bocage; croissant de pistácio na pastelaria antes de sair de Loulé.
  • Quando ir: setembro, depois do regresso às aulas, com o mar ainda a 23°C e as filas de agosto já esquecidas.
  • Onde dormir: na vila, não na marina, se quiser mesmo viver os dois lados de Loulé.

No fim, a piada de escrever sobre marisco a partir de uma vila sem litoral é esta: obriga a pensar na viagem inteira, não só no prato. E é essa a diferença entre passar uma semana a comer bem e passar uma semana a comer no sítio errado só porque estava mais perto.

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