Jardim das Descobertas
Sines
Sines é uma vila piscatória sobre falésias com o castelo onde nasceu Vasco da Gama, praias dentro do Parque Natural e peixe grelhado a sério. Em Julho, o Festival Músicas do Mundo enche o castelo e a praia de concertos gratuitos, no resto do verão, é costa alentejana sem multidões.
Sines é mais do que o festival de verão. O castelo onde nasceu Vasco da Gama, o porto de pesca artesanal com sardinha e polvo frescos, e a caldeirada comida numa tasca com toalhas de papel fazem desta cidade alentejana uma paragem que funciona o ano inteiro.
Sines não é só praia e castelo. O percurso entre o centro histórico e a zona portuária industrial, ao pôr do sol, é uma das experiências visuais mais surpreendentes da costa alentejana, gruas contra o céu laranja, navios porta-contentores na baía, e a refinaria iluminada ao anoitecer.
A Fortaleza de São Clemente em Sines, onde nasceu Vasco da Gama, guarda dentro das muralhas um museu gratuito com mais de dois mil anos de história marítima. Do garum romano ao maior porto de contentores de Portugal, esta é uma cidade que nunca se afastou do mar.
Sines é muito mais do que quatro dias de festival em Julho. Entre o maior complexo industrial de Portugal e uma costa atlântica selvagem, esta cidade alentejana mistura chaminés, castelo medieval e peixe grelhado num cocktail que nenhuma outra vila portuguesa consegue replicar.
Sines tem um problema de imagem. Para muitos portugueses, a primeira associação é o complexo industrial e o porto de águas profundas, o maior porto artificial do país. E sim, as chaminés estão lá, visíveis da estrada. Mas quem entra no centro histórico encontra uma coisa diferente: uma vila piscatória compacta, trepada sobre falésias, com um castelo medieval a dominar a baía e o cheiro a peixe grelhado a subir das ruas junto ao porto.
O Castelo de Sines, onde terá nascido Vasco da Gama em 1469, é o ponto de partida natural. Não é um castelo grandioso, é modesto, mas a vista da muralha sobre o Atlântico compensa largamente a subida. O museu no interior dedica-se à história dos Descobrimentos e à ligação da cidade ao mar. Lá em baixo, a Praia Vasco da Gama é uma baía urbana abrigada do vento, com esplanadas junto à areia e o porto de pesca como cenário permanente.
A sul, a Praia de São Torpes é a mais frequentada do concelho, extensa, com bandeira azul e águas surpreendentemente temperadas para a costa alentejana. A lenda diz que o corpo martirizado de São Torpes terá chegado a estas areias no século I. Mais importante para o visitante: há restaurantes de peixe acessíveis ao longo da estrada que serve a praia. Toda esta faixa costeira integra o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, o que significa trilhos bem marcados ao longo das falésias e construção controlada.
Sines é terra de peixe, sem complicações. A caldeirada de peixe e os grelhados de sardinha dominam as ementas. O Cais da Estação, junto ao porto, é referência local. Na zona de São Torpes, o Arte e Sal serve peixe e marisco com vista directa para o mar. Acompanhe com vinho alentejano, não faltam opções regionais a copo.
Em Julho, o Festival Músicas do Mundo transforma Sines. Desde 1999, o FMM ocupa o castelo, a praia e o Centro de Artes com cerca de 40 a 50 concertos ao longo de nove dias, e cerca de 70% são gratuitos. Se quer ambiente, venha nessa altura. Se quer praias sem multidão e preços normais, Junho ou Setembro são melhores. Dois a três dias chegam para conhecer Sines e a costa envolvente com calma.